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Acho que nem sei mais escrever e, me atrevo a dizer que nem sei mais me descrever.  Perdi a mão, perdi as letras, o mundo me deixou sem palavras.  Ah... as palavras, palavras essas que sempre me acompanharam e fizeram a diferença nos meus dias vazios. E agora, como faço pra me prencher se me perdi de mim mesma? Dez anos são muitos dias, são muitas horas, são dezenas de semanas nesse mundo onde não sou mais eu.  Dez anos que não faço tortas, dez anos que meu sorriso endureceu, dez anos que não canto mais a minha alegria simples de apenas ser. A minha música se foi, a minha poesia morreu, o meu jeito puro de olhar o mundo também. Meu bom humor enjoativo foi embora, minha positividade entediante acabou.  Meu brilho no olho não é mais o mesmo, a milha pele também envelheceu e agora me sinto um antigo manuscirto que ficou pela metade, jogado num canto de uma casa vazia e cheia de pó.  Nele, bonitas histórias congeladas pelo tempo, eternizadas e conservadas apenas pel...

O revoar da Fênix

Cansei de ser a ave solitária Vivendo daquelas migalhas. Por longo tempo fui ferida Tive meu corpo machucado. Meu espírito quis se libertar Da dor do dissabor de amar, Tal qual a imensidão do mar. Me perdi no céu do coração Sem ter direção pra seguir. Minhas asas foram amputadas Suportei ver meu sangue pingar, Até quase morrer de sangrar. Fingi de forte e tentei voar Mesmo sem vôo levantar. Eu fui do céu ao inferno Na doce ilusão de tentar. O universo sabe que tentei As nuvens ouviram meu clamor. Enquanto eu despencava de amor, Caí e naquele solo me destruí. Definhei até não restar quase nada, Me debati em minhas próprias cinzas; Do pouco eu que restou de mim. Aos poucos meu canto se calou Sufocado pelas próprias penas. Ouvia tudo e não conseguia falar. Sentia tudo sem poder reclamar. Sofria calada e me desmachava, Da tristeza que morava em mim. Mas das trevas então se fez a luz E como o fruto que sou da claridade Morri mas renasci pra liberdade. Meus ol...

Amor e amar

O amor é vento, é brisa, não vendaval. O amor é paz, é segurança, é confiança. O amor é amor e nunca será uma dor. O amor é simplicidade, não comodidade. O amor é leveza e não ego. O amor é amizade e não possessividade. O amor é sensibilidade e não crueldade. O amor é um remédio que tudo cura, Não veneno que leva à loucura. O amor é uma eterna aventura, A busca do tesouro de inestimável valor. O amor é lindo por si só, por ser amor. O amor é modéstia e não vaidade. Amor é doçura e não agressividade. O amor é ser com o outro e não querer ter. Amar é uma dádiva e nunca será um fardo. Amor é vida.

Seja fiel

O que não tem solução, Por hora solucionado está. Quando se diz ao coração Espera, acalma e acredita, É o melhor que se pode fazer. Nada pode mudar o tempo, Cada coisa tem hora e lugar, Apenas digo que seja fiel, Ao que diz sua voz interior. Não duvide de sua intuição, O espírito não nos engana, Quando diz aonde quer estar. Ouça com cuidado e atenção As mensagens que vem de dentro, Do seu mais profundo eu E siga o caminho da felicidade.

Adeus ao mar

Certo dia na minha vida  Disseram que eu era sereia Acreditei e feliz rolei na areia Entoei meus cantos mais belos  Mergulhei e construí castelos Até que conheci um marinheiro E por ele me apaixonei ligeiro Desejei não ter mais nadadeiras Pedi aos céus para criar pernas E com ele subir as ladeiras Escolhi não mais morar no mar Pra com ele compartilhar o lar. Em minha existência solitária Sempre cantei com meu coração Mas nunca tive se quer a intenção De seduzir marujos de plantão Pois esperava o meu coração Dizer que esperar não seria em vão. As moedas e tesouros dos outros  Nunca ganharam a minha mão Esperei por uma fortuna maior Que dinheiro não pode pagar. Como é triste hoje constatar Que nunca mais poderei nadar Só posso caminhar naquela areia E dizer adeus ao nosso mar.

Prece do renascimento

Que haja luz e não escuridão dentro de mim. Que essa tristeza que sinto no coração, Transforme-se em sabedoria; Por mais dolorido que seja. Que meus olhos não ceguem-se, Em devaneios ingênuos. Que a vida me ajude a me tornar mais forte. Pra tudo que é ruim, que seja decretada a morte. Que eu renasça minha própria sorte, Na esperança de dias e pessoas melhores.

A minha paz

Busco desesperadamente reencontrar A paz que se desprendeu de mim No momento em que me tiraram O que eu mais amava fazer. Sinto que nada pode suprir O tamanho da falta que sinto De sentir a leveza do corpo são; Que ora antes me abrigava... Dançava e cantava feliz. Tão leve que flutuava sonhador Com o coração cheio de anseios E de desejos por realizar. Cortaram minhas asas. Furaram meus olhos. Sugaram meu espírito. Nem pernas sobraram, Para correr tão depressa, Quanto o mal que me consome E recuperar tudo o que perdi. Cadê o conforto que não encontro, Onde está o final desse túnel, Do martírio que não chega ao fim. Como é dolorido me sentir assim. É tão difícil batalhar todos os dias, Pra não cair no abismo pra sempre. A fé por mais que seja grande, Em alguns dias parece fraquejar; Como vela prestes à se apagar. Um fogo frágil, fraco e velado Mas ainda sim à iluminar. O caminho que sigo é de espinhos, Sei que desejam me perfurar. Suporto a dor que carrego...