Acho que nem sei mais escrever e, me atrevo a dizer que nem sei mais me descrever. 
Perdi a mão, perdi as letras, o mundo me deixou sem palavras. 

Ah... as palavras, palavras essas que sempre me acompanharam e fizeram a diferença nos meus dias vazios.

E agora, como faço pra me prencher se me perdi de mim mesma?


Dez anos são muitos dias, são muitas horas, são dezenas de semanas nesse mundo onde não sou mais eu. 

Dez anos que não faço tortas, dez anos que meu sorriso endureceu, dez anos que não canto mais a minha alegria simples de apenas ser.

A minha música se foi, a minha poesia morreu, o meu jeito puro de olhar o mundo também.

Meu bom humor enjoativo foi embora, minha positividade entediante acabou. 

Meu brilho no olho não é mais o mesmo, a milha pele também envelheceu e agora me sinto um antigo manuscirto que ficou pela metade, jogado num canto de uma casa vazia e cheia de pó. 

Nele, bonitas histórias congeladas pelo tempo, eternizadas e conservadas apenas pela beleza que nelas existia e de longe, de muito longe eu ainda consigo ouvir vozes e risadas de um tempo no qual a vida parecia valer a pena, mesmo que eu nem pensasse nisso. 

Da leveza de dias imaturos da juventude, restam os aprendizados. 

Não dá pra apagar a nossa história, nem nossos erros, nem pra reconstruir as coisas que o vento do tempo levou, mas há sempre a oportunidade de pedir perdão. 

Perdão para nós mesmos, perdão aos nossos sonhos, perdão ao universo pelo tempo que desperdiçamos ou deixamos de viver bem. 

Seja numa prece, mesmo que de longe. Do nosso presente ao nosso passado.

Num gesto de gratidão, um abraço, um pensamento bom, um simples admirar do pôr do sol

Num ato solidário, numa gentileza corriqueira.

Num bom dia sincero. 

É de pouco em pouco, que se chega lá. 

Viver as vezes não é fácil e crescer dói, mas ainda vele a pena. 



Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Graciosa

Corações